Retrato Márcia

Retrato Márcia

Um certo domingo, há cinco anos,  Márcia foi  conhecer a EcoFeira  e não apenas gostou muito  do que encontrou, como também resolveu aceitar o convite  para participar com seu artesanato.

Márcia Serra Mayer

Em sua barraca o que se vê convida ao toque e a um olhar mais acurado. Seu trabalho consiste na confecção de diversos itens para casa e para pessoas. São toalhas de corte especiais, panos para a cozinha, artesanato para crianças, entre outros. Todos têm uma ideia original e um grande amor na sua confecção.

Ao lembrar o seu passado, Márcia diz : “Na infância, fui uma criança livre, que brincava na rua com meus amigos,  sem os perigos da violência atual. Na adolescência, pude viver de forma livre. Participava de festinhas e bailinhos em casas de amigos e era muito feliz.”

Ao chegar à idade adulta  e  depois de  se dedicar por 28 anos ao  trabalho como professora, encontrou no artesanato  uma atividade gratificante, prazerosa e realizadora. Com orgulho dedica-se a esse  trabalho e sente  agradecida o reconhecimento e  a admiração de  seus clientes.

São seus planos crescer  e sempre trazer ideias novas para sua arte, ampliando a variedade e  as utilidades que  seu trabalho pode conseguir. Tem consciência das possibilidades de cópia que o artesanato permite mas não se preocupa com isso pois considera  que  “sempre será impossível reproduzir a mão e o coração de quem faz”.


Conheça os produtos da Márcia.

Retrato Família Dias

Retrato Família Dias

UM DIA COM A FAMÍLIA DIAS

O combinado

Foram dias e dias para conseguir marcar – e ir – ao encontro da Família Dias. Finalmente, conseguimos! Quarta-feira, 3 de maio de 2017, hum… dia auspicioso: Dia de Santa Cruz, padroeira do lugar! E que dia ensolarado!


A ida

O dia estava propício. Saí de casa às 12h30, rumo ao bairro da Capelinha, em Caucaia do Alto, município de Cotia. Ouvi as explicações de Gisele e marcamos um ponto de encontro na própria Estrada da Capelinha. Kelvin foi ao meu encontro.

A tarde continuava ensolarada, e lá fui eu, seguindo o Kelvin, pegando a estradinha de terra e chegando à casa da Família Dias.


A chegada

Fui muito bem recebida pela família querida, já amiga de longa data. O sol e o sorriso da Gisele, do Seu Benedito e do Kelvin me receberam na nova ala recém-construída. Com muito orgulho, me mostraram os novos cômodos, que contrastam com a casa defronte, que tem mais de cem anos e onde, agora, praticamente só dormem. Escritório, banheiro, uma cozinha muito bonita e uma área espaçosa com forno a lenha e uma boa mesa retangular, onde sentamos e conversamos e conversamos.


A conversa

Ah! Um bom dedo de prosa! A Gisele gosta de contar, de relembrar as histórias da família. Seu Benedito e Kelvin mais escutam, e concordam com a matriarca.
Fui o caminho todo pensando se ia ou não gravar a entrevista. De comum acordo, decidimos não gravar. Para tudo ficar mais à vontade. Como sempre foi. A conversa flui.


A família

Quem está por trás da Família Dias Orgânicos?
Gisele da Penha Silva Dias; Benedito Nunes Dias e Kelvin Andrei da Silva Dias.
O casal, comprometido há 32 e casado há 28 anos e o Kelvin… ah! Um presente para eles há 26 anos!


A história

Dá para dizer que tudo começou muito antes deles nascerem. As famílias do casal já eram do bairro, tinham terras, sempre plantaram. São da terra. Gente da roça.

Seu Benedito, com 51 anos, se diverte ao lembrar que, com 5, 6 anos, já ajudava na roça, a colher batata. Será por isso que até hoje a batata é a paixão dele? (Quando me mostrou a parte da plantação de batata, foi me confessando que era a sua paixão).

Tem o episódio em que ele, pequenino, pegou uma peneira, deixou-a macia e dormiu em plena roça. E foi aquele susto, todo mundo procurando o Tico e lá estava ele tirando uma boa soneca!

Ele e a Gisele se conheceram e tinham amizade desde que eram crianças, e a amizade depois se tornou namoro, noivado, casamento e, com a vinda do Kelvin, uma família.

Mesmo nos momentos mais difíceis, seu Benedito nunca quis deixar a roça, aquela vida de preparar a terra, o plantio, semear, carpir, colher… seguindo os ciclos da terra, das estações…

Seu Benedito não seguiu os estudos, a Gisele continuou, fez Magistério, e tem muito orgulho ao contar que o avô usava a própria casa para servir de escola, quando não tinha nada por ali, e alfabetizou muita gente.

Com orgulho, me mostra a grande escola do lugar, que leva o nome de seu avô: Escola Municipal José Manoel de Oliveira, cujo terreno foi doado pela família da mãe dela.


Família Dias

A.O. – D.O.
(Antes e Depois dos Orgânicos)

E a Família Dias seguia plantando no sistema convencional, ou seja, usando “veneno”, o jeito que Gisele chama os agrotóxicos. Acontece que Seu Benedito passou muito mal duas vezes e na segunda vez, quase morreu “envenenado”. Eles arrendavam uma terra na região, as coisas ficaram muito difíceis, lá pelo ano de 2003, quando tiveram de vender tudo o que tinham, até o trator, para pagar as contas. Por causa da situação difícil, a terra ficou parada, em repouso, sem plantio… como se aguardando a nova fase que estava por vir.

Quando plantavam tomate do jeito convencional, e o Kelvin ajudava, ficavam preocupados com a saúde do filho. Eles achavam que não era justo o Kelvin se expor ao veneno, e começaram a pensar em produzir algo mais saudável. E foi um golpe de sorte que marcou o novo período dos Dias: um auditor do IBD (Instituto Biodinâmico) foi fazer uma auditoria na região e, a pedido de Gisele, foi até as terras deles. Vendo a terra em repouso, exclamou: – “Por que vocês não estão produzindo orgânicos?

E foi aí que tudo mudou.

Começaram a produzir para a empresa Horta e Arte que pagou pela certificação deles e, também, os ensinou a fazer o planejamento. A contrapartida era dar a eles exclusividade nas vendas. A parte puxada era receber em 90 dias e, também, receber de volta os orgânicos que não eram vendidos.

Acabaram desenvolvendo novos clientes, passaram a entregar cestas de orgânicos na Granja Viana e em São Paulo, forneceram por 7 anos para os restaurantes vegetarianos Cachoeira Tropical, no Itaim Bibi, em São Paulo, e Ser-a-Fim, na Granja Viana, em Cotia, onde também forneceram para a Frutaria do Centrinho da Granja e para a a quitanda República das Bananas, também na Granja Viana.


Os orgânicos

“As pessoas ainda não entendem o que é o alimento orgânico, que o orgânico é bom para a saúde, que o orgânico tem praticamente o mesmo preço o ano todo”, lamenta Gisele.

Eu já vi a Gisele, na EcoFeira da Granja Viana[1], respondendo, com a maior paciência, que aquela maçã era orgânica, dando mais importância a este fato do que ela ser do tipo gala ou fuji. O mesmo com a banana, se a pergunta era: banana nanica? Banana prata? Banana maçã? Presenciei o esforço dela em dar mais ênfase ao fato de a banana ser orgânica, “a que temos hoje”, do que ao tipo da banana. As frutas orgânicas ainda são difíceis de se conseguir, e eles as compram de um fornecedor de orgânicos, no CEAGESP. Passaram a fazer isto para diversificar a oferta na EcoFeira. Gisele conta que as pessoas ainda procuram verduras, legumes e frutas bonitos, “tipo exportação”, sendo que os orgânicos, muitas vezes, não são, digamos, “de propaganda”!


A roça

Hoje, a Família Dias tem a roça nas terras do pai da Gisele.

Pude ver, em diferentes estágios: alface romana, americana, lisa, roxa, rúcula, míni-rúcula, espinafre, couve, repolho, acelga, salsinha, cebolinha, coentro, berinjela, batata, milho, ervilha, pimentão, couve-flor.

A questão da roça é vital para a Família Dias.
É uma escolha.
É uma opção.

Tanto Gisele, como seu Benedito, como Kelvin, tem, cada qual, muito orgulho deste caminho.
Estão nele porque acreditam nele.
Estão no caminho da agricultura orgânica familiar por paixão.

Eles têm planos: uma estufa com gotejamento, para driblar o tempo da seca e, também, uma estufa na própria roça, onde estão os eucaliptos… Fazer um rancho, na roça, com um fogãozinho a lenha… Também sonham em tornar aquele “pedacinho do paraíso” em um local para turismo rural. Como diz a Gisele, “para quem planejava desistir de tudo… que mudança, não?”


O dia a dia dos Dias

Acordar cedo, tipo 1, 2, 3, 4 da manhã, é algo comum no dia a dia da Família Dias.

Kelvin, por exemplo: na quarta-feira, sai às 4 da manhã para comprar frutas orgânicas no box da Luciana do CEAGESP.

Na sexta-feira, acorda bem cedinho para a colheita tanto da roça deles, como para pegar orgânicos das roças das pessoas da cooperativa, para levar para a Feira do Ibirapuera no sábado.

No sábado, saem às 2 da manhã, com destino ao Ibirapuera: Gisele, Kelvin, mais a irmã da Gisele, o cunhado e o sobrinho.

Seu Benedito não vai porque fica colhendo os orgânicos que vão para a EcoFeira da Granja Viana no domingo. E aproveita para esperar a mulher e o filho com um almoço feito por ele.

Na segunda-feira, seu Benedito tem colheita para as entregas de orgânicos das terças e quartas-feiras.
Quartas e quintas-feiras são dias para Seu Benedito preparar o canteiro, plantar, carpir, irrigar, muitas vezes sozinho, porque não é sempre que o Kelvin consegue ajudar.

E a Gisele cuida dos pedidos, das vendas, da certificação, foi presidente da APROUNI (Associação de Produtores Unificados, de Cotia e Ibiúna) de 2008 a 2016 e, há 7 meses, fundou o grupo PROAC (Produtores Orgânicos Amigos de Caucaia do Alto). É bonito ver os três trabalhando em tamanha sintonia.


O café

Voltando da roça, seu Benedito foi fazer um café para nós. Café fresco, pão de coco e queijo branco. Lanche de roça. Mais um dedo de prosa, e o sol ainda nos presenteando em pleno entardecer de outono.


A despedida

Ganhei uma caixa cheia de orgânicos fresquinhos, colhidos na hora, especialmente para mim: vários tipos de alface, salsinha, couve maravilhosa para o meu suco verde, pepino, abobrinha, couve-flor, acelga, vagem, espinafre… quanta coisa boa, fresca, apetitosa!
Pego a estrada de volta, levando comigo:
os momentos com a Família Dias.
A tarde gostosa e inspiradora.
O calor do sol.
O gosto do café.
Um pouco da roça.
A esperança nos orgânicos.
O orgulho pela EcoFeira.
Muita vontade de escrever.
E compartilhar tudo isto.
Com você.


A EcoFeira

Ah! E como os Dias foram parar na EcoFeira?

Bem… a EcoFeira nasceu com eles, com a Família Dias! Uma história que já tem 7 anos!

No nosso movimento Transition Granja Viana, ligado à sustentabilidade, a questão dos orgânicos era muito presente. Sabendo que havia produtores locais de orgânicos, nosso grupo decidiu criar o GOL – Gostamos de Orgânicos Locais – e ele nasceu bem na Copa do Mundo de 2010! Eu adorei batizá-lo, e gostei ainda mais de ter criado o “slogan poético”:

EcoFeira Granja Viana: todo domingo, todo mundo ama!

Mas voltemos ao GOL.

Fiquei sabendo só agora que o Hamilton Trajano Cabral, extensionista rural e paisagista, foi o anjo da guarda da Família Dias e os estimulou a fazer entregas de orgânicos na região e que a Dani Terracini, do Transition, foi uma das primeiras pessoas a fazer pedidos semanais para a Família Dias, ou seja, a Dani foi a sementinha do GOL!

E foi fazendo meus pedidos de orgânicos, pelo telefone, para a Gisele, que ela me contava que as coisas estavam difíceis, que estava muito duro comercializar o que produziam, e que estavam prestes a jogar não só a toalha, mas outras coisas, como a enxada, o rastelo, o trator, sucumbir à especulação imobiliária e vender suas terras.

Nossa, pensava eu, isto não podia acontecer!

E levava esta realidade às reuniões do Transition. O sonho de termos uma EcoFeira estava nas nossas mentes – e corações – e foi nessa ocasião que a Theresa Franco, do Transition, conheceu a Cristina Oka, secretária do Turismo de Cotia, na época, em um evento e, numa sincronia e sinergia totais, (mais muito trabalho, esforço e dedicação de todas as partes) o sonho tornou-se realidade!

A EcoFeira começou na Escola da Granja, depois fomos para o salão de festas da Matriz da Igreja de Santo Antônio, fizemos EcoFeira no Templo Zu-Lai e, finalmente, ganhamos nossa sede oficial da Prefeitura de Cotia: o Parque Teresa Maia!

Ao todo, são 35 fornecedores e, além dos legumes, verduras e frutas orgânicos, há uma infinidade de outros produtos locais, familiares, integrais e artesanais: tortas, quiches, pratos veganos, pães, doces, bolos, doces árabes, empadinhas, empanadas, geleias, queijos, mel, artesanatos, sucos, chás, ração orgânica para animais, produtos de limpeza, e muito mais, fora o astral! O astral é um caso à parte. A EcoFeira é um ponto de encontro, de atividades, de eventos, de música, de palestras, workshops, de bate-papos. Um programa para as manhãs de domingo.

Estamos lá, todo domingo, das 8h00 às 13h00: EcoFeira Granja Viana: todo domingo, todo mundo ama, lembra?


Conheça os produtos da Família Dias.

 

Retrato Elena

Retrato Elena

Elena e Maristela

Nasdarovia* – preservando as origens através dos sabores

Elena participa desde a primeira EcoFeira, realizada há sete anos na Escola da Granja.

Conhecer sua história ajuda a apreciar seus produtos: conservas, antepastos, compotas, geleias, carnes e peixes defumados artesanalmente. Estes são os que fazem mais sucesso.

E de onde vem esta tradição? direto da Rússia!

A avó de Elena, Melania Antropoff, nasceu em1886 em Irkutsk, na Rússia. Como tantas outras moças da região, Melania aprendeu a aproveitar as estações menos frias do ano para processar as geleias, compotas, molhos e carnes de caça, que sustentariam a família no longo inverno de 40 graus negativos, transmitindo estas técnicas seculares a sua filha Nadejda.

Com o advento da revolução bolchevique de 1917, a família transferiu-se para cidade chinesa de Harbin, uma concessão russa de extensão da ferrovia Transiberiana.

Em 1949, quando ali já existia uma das maiores comunidades de europeus do Extremo Oriente, nova revolução, agora maoísta, e mais uma vez a família Antropoff parte em busca de vida nova: desta vez a escolha recai sobre o Brasil, bem longe das revoluções e das temperaturas negativas.

Mesmo o clima sendo outro, os hábitos alimentares permanecem e passam de mãe para filha, chegando finalmente à mesa dos frequentadores da EcoFeira.

Elena aprendeu a cozinhar tanto com a avó quanto com a mãe e também o pai, que era o responsável pelos defumados. Moravam todos juntos e a  casa era sempre repleta de conservas e geleias. “Nenhum alimento era desperdiçado, ou se transformavam conserva, ou geleia ou defumado”, conta ela.

Estabelecida em Cotia há 20 anos, Elena continua a seguir a culinária dos seus ancestrais, no seu dia a dia. E a história não acaba aqui! Sua filha Giovanna, que tem 38 anos, além de por a mão na massa, está compilando suas receitas e os hábitos alimentares da família.

Quem sabe logo teremos um livro interessante na praça.

Quanto à sua participação na EcoFeira, ela declara com orgulho:

“A principal conquista é a sensação de fazer parte de uma atividade que vai além do aspecto comercial, mas de valorização do trabalho artesão e sustentável como os de produtos orgânicos oferecidos na feira, além de ter feito um circulo de ótimos amigos.”

* NASDAROVIA (saúde quando se brinda), o nome de seus produtos é uma homenagem às Babushkas, apelido carinhoso de “vovós” em russo, uma homenagem a sua mãe Nadejda e sua avó Melania.


Conheça os produtos da Elena.

 

Retrato Família Leandro

Retrato Família Leandro

Família Dias

LEANDRO E A SUA AGRICULTURA ORGÂNICA

Leandro me contou que seus avós paternos vieram da Bahia, assim como seu avô materno. Apenas sua avó materna era do interior paulista. Vieram da Bahia para Osvaldo Cruz, no interior de São Paulo, para trabalhar na plantação de café.

Uma família que sempre trabalhou na terra, porém, na propriedade dos outros, como arrendatários ou meeiros, aquele sistema onde o produtor mora e produz na terra, e divide o lucro da produção com o proprietário.

Em 1979, ocorreram grandes geadas que destruíram muitas plantações de café, fazendo com que os avós e o pai do Leandro se mudassem do interior para a capital.

Leandro nasceu em São Paulo e, bem jovem, começou a trabalhar. Foi trabalhando em um restaurante como estoquista, e fazendo um curso técnico em Meio Ambiente, que ele observou a quantidade de alimentos jogados fora, sem destino. Era um restaurante industrial, que servia de quatrocentas a quinhentas refeições por dia. Ele observava muita sobra, muito resíduo…

Será possível que não se pode aproveitar todo esse alimento?, refletiu Leandro. Foi então que ele começou a pesquisar, ler, fazer cursos de minhocultura e horta orgânica. E foi assim que ele chegou na agricultura orgânica. Era nisso que Leandro queria trabalhar: com AGRICULTURA ORGÂNICA!

Leandro foi fazer faculdade de agronomia em Adamantina. Lá, conheceu e se apaixonou pela Jéssica, que fazia veterinária, e se formaram e se casaram.

Conheceu Yoshio Tsuzuki, engenheiro agrônomo, formado no Japão, e co-fundador da AAO (Associação de Agricultura Orgânica), um incentivador dessa prática, com suas ricas pesquisas e técnicas por um sistema agrícola saudável para o meio ambiente e para os produtores. (Vale uma pesquisa à parte sobre esse ser que tanto contribuiu para a agricultura orgânica em nossa região!) E foi graças ao Sr. Yoshio Tsuzuki que temos o Leandro em nossa EcoFeira!

Recém-formados, Leandro e Jéssica fizeram um combinado: quem arrumasse emprego primeiro, o outro o ou a seguiria, e o destino deles foi Cotia! Pois foi Yoshio Tsuzuki quem convidou Leandro para trabalhar na sua terra, em Cotia.

Sua primeira EcoFeira foi a do SESI Cotia, na época em que a EcoFeira era itinerante e contava com o apoio maravilhoso da equipe da Cris Oka, Secretária de Turismo de Cotia, que divulgou e chamou todos os produtores rurais de orgânicos para participarem da feira. Desde então, Leandro nunca mais deixou de fazer uma feira!

Com muito trabalho e suor, seus produtos foram aumentando e a clientela da EcoFeira também. Assim, com muita vontade, e acreditando na importância de uma produção limpa e saudável, Leandro e Jéssica compraram sua própria terra, tiveram o Vitor, um garotão lindo, forte, criado com orgânicos produzidos em casa, (quanto privilégio, né?) e hoje ele tem um ajudante que vai todos os domingos na EcoFeira.

Dá gosto de ver essa jovem família prosperando de uma maneira tão nobre, contribuindo por um Planeta saudável e nos dando a oportunidade de consumir alimentos puros e frescos!

Ao Leandro e a toda sua história: MUITO OBRIGADA!!


Conheça os produtos da Família Leandro.

 

Retrato Família Nakashima

Retrato Família Nakashima

Família Nakashima

Família Nakashima: Orgânicos Especiais e Agricultura do Sonho!

Dona Helena veio de Itu, onde seus pais plantavam tomate. Seu pai veio do Japão, com 28 anos, e conheceu sua mãe aqui no Brasil, que também tinha vindo do Japão, e um amigo de seus pais apresentou a ela seu marido, o sr. Naoyuki, também japonês, com quem ela se casou e teve três filhos: Edson, Naomi (Margarida) e Satiko.

As meninas trabalham na cidade. Naomi (Margarida) é professora de japonês, mas ajuda aos domingos na EcoFeira. Quem herdou o DNA da família, quanto ao trabalho na terra, foi o Edson. Foi ele quem me contou que seus avós vieram para o Brasil, pois aqui era possível cultivar a terra durante todo o ano, sendo que lá no Japão, na região de seu pai, por conta do frio e da neve, o tempo de cultivo é muito curto e a única coisa que dá para ser cultivada é o arroz. Ele me contou que quando esteve lá no Japão a neve chegou a dois metros de altura!

Edson fez curso técnico em agroindústria, e foi fazer intercâmbio durante um ano no Japão, onde aprendeu a AGRICULTURA DO SONHO (lindo nome!), que é fazer a transição de uma terra degradada por defensivos e produtos químicos para uma terra saudável e produtiva. Você sabia que depois de um tempo usando defensivos e outros produtos químicos a terra não consegue mais produzir? É preciso muito trabalho para recuperá-la.

Perguntei se ele não se interessava em ensinar aos produtores da nossa região a AGRICULTURA DO SONHO, e ele disse que a maioria das pessoas que produzem de maneira convencional não têm interesse em mudar, pois dá mais trabalho. É muito mais fácil pulverizar um veneno que mata e não deixa nascer mais pragas durante seis meses, do que ter que trabalhar todos os dias tirando os matinhos com as mãos e criando formas e compostos com esses restos para melhorar a produção. Por exemplo, plantar abóbora em cima dos restos de mato e folhas acelera o processo de compostagem, para ser usado como adubo.

Sinto essa família como verdadeiros alquimistas da terra. Imaginem que eles têm uma espécie de alface criada e desenvolvida por eles mesmos! Eu mesma já a batizei de ALFACE NAKASHIMA!

A Família Nakashima não é dona da terra onde planta, são arrendatários, e a qualquer momento essa terra cultivada e amada pode ser vendida e transformada em um condomínio, e eles terão que fazer a AGRICULTURA DO SONHO em outra terra…isso me dói no fundo na alma! Será que não existe uma maneira de valorizarmos este precioso trabalho mais do que empreendimentos imobiliários?

Seus produtos são muito variados e, além dos mais comuns que conhecemos, podemos encontrar vegetais especiais, como o “melão de São Caetano”, a batata doce cor de laranja, “chinguensais” variadas (conhecidas como couve chinesa), couve rábano, nabos diversos, dentre muitos outros, cujos nomes desconheço e valeria fazer uma pesquisa à parte, para cada um desses produtos, com suas propriedades medicinais, nutritivas e receitas deliciosas.

Dona Helena, Edson e Margarida estão sempre prontos para atender com gentileza, passam a seriedade e o comprometimento com o que fazem, além do conhecimento e da intimidade com cada vegetal que vendem. É uma honra poder me alimentar com produtos tão especiais e cultivados com tanto carinho e conhecimento!

O sonho do Edson é trazer o Turismo Agrícola para cá, levar as pessoas para plantar e conhecer o que ele tem a ensinar. Neste momento, ele está no Japão, aprendendo sobre turismo agrícola e, assim que ele voltar, serei uma candidata a aprender com seus ensinamentos!

Adorei o nome e a proposta do curso – a AGRICULTURA DO SONHO – e, neste momento, imaginei todas as plantações do Planeta utilizando esta tecnologia. E como acredito no poder da imaginação e na força do trabalho de pessoas como o Edson, sua família, seus professores e todos os que trabalham por uma produção agrícola saudável, um dia isso pode virar realidade. Se você é como eu e acredita em utopias, junte-se a essa rede de imaginação criativa!


Conheça os produtos da Família Nakashima.

 

Retrato Yola

Retrato Yola

Yola

“Acredito que chegar aqui foi um chegar lá..”

Yola  por Yolanda

Essa frase da Yola já nos antecipa que temos o privilégio de conhecer e conviver com uma dama, aquelas que usam luva de seda em mãos de aço.

Aquariana, batista.

Ascendência húngara. Seu avós fugiram da guerra e vieram a Brasil.

Yola, surgiu porque a sua família húngara a chamava de Yolo, as pessoas no Brasil o adaptaram e se impus o apelido Yola.

Mulher de uma força e determinação única, mas não perde a sensibilidade e emoção ao abordar certos temas.

Yola , a mulher, seus gostos hobbies, os  mistérios…

Seu stress desaparece quando ela se concentra na cozinha e na preparação de comidas. Sem dúvida é um suporte emocional, decisivo.

Ela gosta muito de flores, de mexer no jardim embora não tem muito tempo para isso.

Os aromas que a fascinam são os suaves, delicados. Não se prende a marcas senão a essências. Mulher “ pé no chão”, incansável, humana, solidaria e prestativa.

Quando achei que já conhecia muito dela… uma surpresa, ao perguntar o tipo de música que escuta… aquela quituteira concentrada, serena, observadora me olha e diz:

Rock!

Também MPB.

Seus ídolos. Pensou, pensou e consegui que balbucie… Obama. De fato, ele fez um bom governo para o seu país.

Já foi – de solteira – habitué de cinemas e teatros, agora não mais. Mesmo assim, admira a Fernanda Montenegro como atriz e pessoa.

Seu gosto culinário… parece gostar de tudo e comer variadíssimo. Ah!!!!!!!!!!!! Lembro, não suporto jiló.

Reflexiona sobre a qualidade dos orgânicos embora não seja possível sempre e em tudo momento pelo preço. Isso não quita que considere que é um diferencial considerável para   a saúde e para o paladar.

Yola, a Família

Sua avó cozinhava muito bem e na sua família, semanalmente   sempre saboreavam uma ou duas sobremesas além das frutas.

Sem dúvida, embora de adolescente não ligava para a cozinha, o DNA já estava latente e influencio nas suas escolhas e até hoje, seu rosto muda, quando fala do seu amor pela cozinha.

Tem duas filhas, três netos. (Um rapaz de 17 anos, e duas meninas de 6 e 2 anos). A netinha do meio até à par de seus quitutes e acaba resultando uma excelente difusora de seus dotes culinários. Carinhosamente Yola diz que também é “ boa de boca” .

Suporte afetivo e emocional de cada um dos integrantes de sua família, admirada por sua fortaleza. Exemplo para cada um deles.

A discrição, paciência são outras características marcantes na sua personalidade.

Exemplos… muitos. Só compartilho um:

Seu trato é firme e efetivo…aparece a netinha e solicita ajuda para a lição.

Yola se inclina, com poucas palavras da a resposta que a neta precisava e arranca um sorriso de segurança nela.

Yola, sua trajetória

Mora na Granja faz muitos, muitos anos.

Morando na Granja Viana II,   atendia no seu salão de cabelereira na própria casa. As circunstancias do próprio Condomínio e até situações familiares fizeram que depois de alguns anos…. tivesse que abandonar essa profissão.

Procurou cursos, se informou e tentou se atualizar na nova  área  e abandonou o salão de Cabelereira

As filhas em idade escolar, Yola fazia os bolos para cada aniversário. Convidados e amigas deliciadas com esses bolos começaram a encomendar.

Inicialmente era uma troca de favores entre amigas, aos poucos se transformou na sua profissão e continua até hoje.

Ela participava de bazares, sempre recomendada por amigas que se deliciavam com seus pratos.

Yola,  e a  Eco Feira

Participa da Eco Feira faz sete anos   e sente um afeto especial por todos os feirantes e colaboradores da mesma.

Atualmente, tem muito orgulho de se referir a sua clientela fiel conseguida de boca em boca.

Quando perguntei o que gostaria de falar sobre a Eco Feira pensou, pensou e diz:

“Pouca difusão, não facilitam nem a colocação e retirada das faixas, na Granja e bairros vizinhos, anunciando a Eco Feira. Por isso, muita gente nem sabe que existe”.

Motivo pelo qual se mostrou saudosista do início da Eco Feira no Colégio da Granja. Comentou que o público era bem maior e a difusão excelente.

Sobre as barracas de Eco Feira, imagina que a presença de mais artesanais poderia ser um excelente atrativo.


Conheça os produtos da Yola.