Retrato Família Leandro

Retrato Família Leandro

Família Dias

LEANDRO E A SUA AGRICULTURA ORGÂNICA

Leandro me contou que seus avós paternos vieram da Bahia, assim como seu avô materno. Apenas sua avó materna era do interior paulista. Vieram da Bahia para Osvaldo Cruz, no interior de São Paulo, para trabalhar na plantação de café.

Uma família que sempre trabalhou na terra, porém, na propriedade dos outros, como arrendatários ou meeiros, aquele sistema onde o produtor mora e produz na terra, e divide o lucro da produção com o proprietário.

Em 1979, ocorreram grandes geadas que destruíram muitas plantações de café, fazendo com que os avós e o pai do Leandro se mudassem do interior para a capital.

Leandro nasceu em São Paulo e, bem jovem, começou a trabalhar. Foi trabalhando em um restaurante como estoquista, e fazendo um curso técnico em Meio Ambiente, que ele observou a quantidade de alimentos jogados fora, sem destino. Era um restaurante industrial, que servia de quatrocentas a quinhentas refeições por dia. Ele observava muita sobra, muito resíduo…

Será possível que não se pode aproveitar todo esse alimento?, refletiu Leandro. Foi então que ele começou a pesquisar, ler, fazer cursos de minhocultura e horta orgânica. E foi assim que ele chegou na agricultura orgânica. Era nisso que Leandro queria trabalhar: com AGRICULTURA ORGÂNICA!

Leandro foi fazer faculdade de agronomia em Adamantina. Lá, conheceu e se apaixonou pela Jéssica, que fazia veterinária, e se formaram e se casaram.

Conheceu Yoshio Tsuzuki, engenheiro agrônomo, formado no Japão, e co-fundador da AAO (Associação de Agricultura Orgânica), um incentivador dessa prática, com suas ricas pesquisas e técnicas por um sistema agrícola saudável para o meio ambiente e para os produtores. (Vale uma pesquisa à parte sobre esse ser que tanto contribuiu para a agricultura orgânica em nossa região!) E foi graças ao Sr. Yoshio Tsuzuki que temos o Leandro em nossa EcoFeira!

Recém-formados, Leandro e Jéssica fizeram um combinado: quem arrumasse emprego primeiro, o outro o ou a seguiria, e o destino deles foi Cotia! Pois foi Yoshio Tsuzuki quem convidou Leandro para trabalhar na sua terra, em Cotia.

Sua primeira EcoFeira foi a do SESI Cotia, na época em que a EcoFeira era itinerante e contava com o apoio maravilhoso da equipe da Cris Oka, Secretária de Turismo de Cotia, que divulgou e chamou todos os produtores rurais de orgânicos para participarem da feira. Desde então, Leandro nunca mais deixou de fazer uma feira!

Com muito trabalho e suor, seus produtos foram aumentando e a clientela da EcoFeira também. Assim, com muita vontade, e acreditando na importância de uma produção limpa e saudável, Leandro e Jéssica compraram sua própria terra, tiveram o Vitor, um garotão lindo, forte, criado com orgânicos produzidos em casa, (quanto privilégio, né?) e hoje ele tem um ajudante que vai todos os domingos na EcoFeira.

Dá gosto de ver essa jovem família prosperando de uma maneira tão nobre, contribuindo por um Planeta saudável e nos dando a oportunidade de consumir alimentos puros e frescos!

Ao Leandro e a toda sua história: MUITO OBRIGADA!!


Conheça os produtos da Família Leandro.

 

Retrato Família Nakashima

Retrato Família Nakashima

Família Nakashima

Família Nakashima: Orgânicos Especiais e Agricultura do Sonho!

Dona Helena veio de Itu, onde seus pais plantavam tomate. Seu pai veio do Japão, com 28 anos, e conheceu sua mãe aqui no Brasil, que também tinha vindo do Japão, e um amigo de seus pais apresentou a ela seu marido, o sr. Naoyuki, também japonês, com quem ela se casou e teve três filhos: Edson, Naomi (Margarida) e Satiko.

As meninas trabalham na cidade. Naomi (Margarida) é professora de japonês, mas ajuda aos domingos na EcoFeira. Quem herdou o DNA da família, quanto ao trabalho na terra, foi o Edson. Foi ele quem me contou que seus avós vieram para o Brasil, pois aqui era possível cultivar a terra durante todo o ano, sendo que lá no Japão, na região de seu pai, por conta do frio e da neve, o tempo de cultivo é muito curto e a única coisa que dá para ser cultivada é o arroz. Ele me contou que quando esteve lá no Japão a neve chegou a dois metros de altura!

Edson fez curso técnico em agroindústria, e foi fazer intercâmbio durante um ano no Japão, onde aprendeu a AGRICULTURA DO SONHO (lindo nome!), que é fazer a transição de uma terra degradada por defensivos e produtos químicos para uma terra saudável e produtiva. Você sabia que depois de um tempo usando defensivos e outros produtos químicos a terra não consegue mais produzir? É preciso muito trabalho para recuperá-la.

Perguntei se ele não se interessava em ensinar aos produtores da nossa região a AGRICULTURA DO SONHO, e ele disse que a maioria das pessoas que produzem de maneira convencional não têm interesse em mudar, pois dá mais trabalho. É muito mais fácil pulverizar um veneno que mata e não deixa nascer mais pragas durante seis meses, do que ter que trabalhar todos os dias tirando os matinhos com as mãos e criando formas e compostos com esses restos para melhorar a produção. Por exemplo, plantar abóbora em cima dos restos de mato e folhas acelera o processo de compostagem, para ser usado como adubo.

Sinto essa família como verdadeiros alquimistas da terra. Imaginem que eles têm uma espécie de alface criada e desenvolvida por eles mesmos! Eu mesma já a batizei de ALFACE NAKASHIMA!

A Família Nakashima não é dona da terra onde planta, são arrendatários, e a qualquer momento essa terra cultivada e amada pode ser vendida e transformada em um condomínio, e eles terão que fazer a AGRICULTURA DO SONHO em outra terra…isso me dói no fundo na alma! Será que não existe uma maneira de valorizarmos este precioso trabalho mais do que empreendimentos imobiliários?

Seus produtos são muito variados e, além dos mais comuns que conhecemos, podemos encontrar vegetais especiais, como o “melão de São Caetano”, a batata doce cor de laranja, “chinguensais” variadas (conhecidas como couve chinesa), couve rábano, nabos diversos, dentre muitos outros, cujos nomes desconheço e valeria fazer uma pesquisa à parte, para cada um desses produtos, com suas propriedades medicinais, nutritivas e receitas deliciosas.

Dona Helena, Edson e Margarida estão sempre prontos para atender com gentileza, passam a seriedade e o comprometimento com o que fazem, além do conhecimento e da intimidade com cada vegetal que vendem. É uma honra poder me alimentar com produtos tão especiais e cultivados com tanto carinho e conhecimento!

O sonho do Edson é trazer o Turismo Agrícola para cá, levar as pessoas para plantar e conhecer o que ele tem a ensinar. Neste momento, ele está no Japão, aprendendo sobre turismo agrícola e, assim que ele voltar, serei uma candidata a aprender com seus ensinamentos!

Adorei o nome e a proposta do curso – a AGRICULTURA DO SONHO – e, neste momento, imaginei todas as plantações do Planeta utilizando esta tecnologia. E como acredito no poder da imaginação e na força do trabalho de pessoas como o Edson, sua família, seus professores e todos os que trabalham por uma produção agrícola saudável, um dia isso pode virar realidade. Se você é como eu e acredita em utopias, junte-se a essa rede de imaginação criativa!


Conheça os produtos da Família Nakashima.

 

Retrato Claudia Vargas

Retrato Claudia Vargas

Retrato degustado

Claudia Vargas

Terei que colher de dentro dessa massa disforme de letras, palavras, expressões e signos, algo que seja Claudia e seus sabores. São infinitas as possibilidades e, dependendo da ponta que eu puxar, da primeira letra, o fio estará engastado palavra a palavra na linha, saindo do emaranhado da massa. Significando belamente, ou não, terá que dar conta dos sabores de Cláudia. E que sabores… Então vamos lá, desenrolar fios de prosa, temperos de vírgulas, odores de letras; sentidos gustativos da escrita.

Para mim, o que ela cozinha é simples. Simplesmente alquimia. Shitakes viram quiches. A soja é xadrezinha. Amendoins viram queijos. Grão, iguarias.

Simples assim.

A forma como me conta, a forma como se mostra, é simples. Quem sou eu, com minha cumbuca de letras, pra lhe dizer que o que cozinha é sagrado?! É pura alquimia?! É minha língua que sente, que lambisca, que desfruta, não eu! Só saboreio encantada a magia dos sabores. Simples!

Na linha de letras não tenho como me ater a ‘quando’, ’como’, ’por que’. Tudo me vem dos sentidos. Se tento explicar, rebelião nas linhas, como temperos errados nas delícias mais sublimes. Então me nego, (negam-se as palavras) e só sinto gostos, odores, deleite e a alegria suprema de te provar, Claudia Vargas.

Claudia Vargas ao ponto

Ingredientes:
1 bela família carnívora (mãe, pai, filho, filha)
1 pitada de ideia vegetariana
1 amiga Silvia Belton e seu Serafim
1 punhado de trabalho estressante
1 nova pitada de ideia vegetariana como trabalho de vida

Coloque em uma panela a bela família carnívora. Tempere a filha de 11 anos e o filho de 7 com a ideia vegetariana. Mexa até ferver, ferver muito. Quando a mãe se desesperar e estiver aos pedaços, pesque-a com a escumadeira e ponha para maturar com um maço de amiga Silvia em seu Serafim. Ponha para crescer, marinar, descansar.

Adicione então, punhados de horas gastas em trabalhos estressantes fora de uma cozinha e uma enorme pitada de ideia vegetariana, como trabalho de vida. Arrume então, em um belo parque, em Cotia, em uma bela EcoFeira. E voilá, está pronta uma Claudia Vargas ao ponto.

Quer provar?