Jyotish, ou Jyotiṣa, é o nome dado a disciplina da Tradição védica, que observa os eventos astronômicos e aplica suas influências na jornada da vida aqui no planeta Terra. Efetivamente, a palavra jyotish, em devanagari ज्योतष, vem do sânscrito: jyotis quer dizer luz, brilhar, corpos celestes; e iṣa é um sufixo relacionado a conhecimento. Em outras palavras, podemos compor frases como: “luz do conhecimento”, ou “ciência dos astros”. Qualquer outra combinação que lhe ocorrer está valendo. Baseada nessa liberdade eu lembro das palavras da Dona Celene, minha mãe, ralhando comigo: “não faz isso, menina, Deus tá vendo!”

Eu sempre me perguntava como Deus via as coisas, seria um velhinho sentado nas nuvens espiando aqui pra baixo, ou um grande olho de Mordor na Terra Média? Eu precisei chegar aos 60 anos e criar condições na minha vida para estudar Jyotish e limpar algumas ilusões da minha mente para entender isso como “o brilho dos olhos de Deus”.

Atualmente, no ocidente, Jyotish assumiu o nome de Astrologia Védica, e vem crescendo bastante.

Eu faço parte da terceira turma de formação da astróloga Madu Cabral, e sigo deslumbrada por saber um pouco de como observar o céu, ler mapas e ajudar as pessoas com seus padrões de comportamento. Há outros mestres que eu pretendo estudar e absorver diferentes pontos de vista.

Em linhas claras o que difere a Astrologia Védica da Astrologia Tropical (como chamamos a que sempre conhecemos), é que, a Tropical tomou como orientação as estações do ano e a relação entre Terra e Sol. Por sua vez, a Védica se baseia nas posições aparentes dos corpos celestes, constelações e a precessão dos equinócios, que indica o lento deslocamento do eixo da Terra de aproximadamente 1° a cada 72 anos, fazendo o ponto vernal se mover em relação às estrelas. Na Antiguidade, quando muitos sistemas astrológicos foram formalizados, o 0° de Áries tropical e a constelação de Áries estavam próximos, mas com a precessão, ocorreu uma separação gradual que representa hoje uma diferença de cerca de 24° retrógrados. Por esse motivo, muitas pessoas quando conhecem seu mapa natal védico estranham mudar o signo solar e transformam seus paradigmas.

Eu fui uma delas.

Estamos aqui para falar sobre Júpiter, mas teria como citá-lo sem antes apresentar a forma de olhar esse evento tão aguardado. Jyotish alia os dados siderais ao corpo de conhecimento védico para entender as informações do céu, e, minha gente, mesmo eu vivendo mais 40 anos não vou dar conta de saber tudo. Contudo, é possível trazer algumas informações de ordem prática, como uma boa mercuriana que sou. Júpiter, o grande planeta gasoso, é o Guru Zodiacal, aquele que expande a mente para receber o conhecimento. E é válido assimilar que conhecimento representa Boa Sorte.

Conhecer representa saber o que é, como fazer e se relacionar, e isso leva à prosperidade, não só material como interna. No dia 1° de junho de 2026, Júpiter iniciará sua jornada pela constelação de Câncer, a começar por um grupo de estrelas chamadas de Punarvasu Nakshatra. Vou decodificar: Câncer é a constelação favorita de Júpiter, porque a vibração desse lugar é de nutrição e afetividade.

Isso se transforma numa influência que amplifica a capacidade de assimilar a sabedoria, o discernimento, a inteligência emocional, a proteção e de fazer escolhas que criam estabilidade duradoura. Olha que incrível! E tem mais, Júpiter se move lentamente, isso implica que esse posicionamento de ouro acontece a cada 12 anos. Especialmente desta vez, ele começa sua jornada por estrelas que representam renovações e recomeços. Então, da mesma forma que você foi capaz de conceber o significado da palavra Jyotish, também será capaz de juntar essas informações e levar para os assuntos pungentes da sua vida. Júpiter ficará em Câncer até 25 de Junho de 2027, então faça valer seu tempo, pega essa chance. Se precisar da minha ajuda, estou por aqui.

Namastê.

Maria Brandão
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